Entre tarifas, tratados e tiros no pé: o agronegócio brasileiro em 2026

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O ano de 2026 não começou bem. Passadas as festas, a ressaca e o orgulho de termos o melhor réveillon do mundo, voltamos ao mundo real. 

Primeiro ponto negativo foi a ameaça do governo americano de invadir a Groenlândia, utilizar todas as forças para implodir a ONU, e criar uma piada, que é o Conselho de Paz da Faixa de Gaza, para legitimar os interesses imobiliários de Donald Trump. 

Trump tem procurado abertamente fortalecer os interesses dos sojicultores americanos na China em detrimento das ações do mercado que favorecem e muito as exportações de soja e carne brasileiras. O agronegócio brasileiro não deve assistir passivamente essas investidas americanas.

As nossas reações foram muito tímidas com relação ao tarifaço do governo americano que prejudicou e muito nossas exportações para aquele país. O governo brasileiro reagiu e conseguiu minimizar o tarifaço, por enquanto. Os produtores de café agradecem e sinceramente espero que nossos eleitores respondam à altura àqueles que tanto prejudicaram a economia brasileira.

Notícias alvissareiras: depois de 26 anos é finalmente assinado o acordo do Mercosul com a União Europeia. Uma vitória para nosso agronegócio. 

Claro que os franceses vão gritar e muito, como fizeram quando a Espanha e Portugal entraram no Mercado Comum Europeu. Previam catástrofes com relação ao vinho, aos produtos derivados de leite e aos produtos hortícolas. 

Isto foi por volta de 1985. Nada aconteceu e o Mercado Comum Europeu se fortaleceu. Alegam que vão perder privilégios, mas não contestam o protecionismo europeu. Criam os mercados, mas não querem praticar as regras do livre comércio e do multilateralismo. É como se diz, “concordo com tudo, desde que não me atinja”. Nada aterrorizante vai acontecer. Negócio é bom, quando é bom para os dois lados. 

Por outro lado, a Europa criou regras ambientais mais severas de importação de produtos que, por exemplo, promovem o desmatamento. Difícil, severa, mas vem sendo avisada há mais de cinco anos.

Neste sentido, o agronegócio brasileiro deu um tiro no pé. 

Quando se assina o acordo do MERCOSUL com a União Europeia, os sojicultores brasileiros, acabam com a moratória da soja. Um erro grosseiro, que vai se refletir tanto nas exportações para a China quanto para a Europa. É importante acompanhar estes fatos com muita atenção. 

Outro movimento importante são as aquisições em diversos pontos do mundo de grandes propriedades agrícolas. É uma tendência antiga, que vem aos poucos expulsando os pequenos agricultores das suas fazendas. O livro Migrations et climat – comment habiter notre monde, de 2025, de Girveau, Shimells et Picot, mostra claramente os grandes movimentos migratórios em diversos países do Sul, onde 1.800.00 de pessoas foram deslocadas em função das inundações; Vietnã, com 12 milhões de pessoas ameaçadas se o nível do mar aumentar um metro; sem mencionar os fortes movimentos migratórios em vários países da África. Um excelente momento para se comprar terras e concentrar riquezas nas mãos dos mais abastados. 

No Brasil não é diferente. As secas mais severas têm promovido prejuízos na produção agrícola e o preço dos alimentos estão com tendência de aumento, apesar das propaladas supersafras. 

O que vai acontecer até o final do ano? 

Talvez um sadio movimento na agricultura brasileira, buscando absorver mais a utilização dos bioinsumos, a agricultura regenerativa e as práticas da agricultura de baixo carbono. A combinação dessas ações poderá dar ao nosso país um grande diferencial na oferta de alimentos limpos, saudáveis e ambientalmente equilibrados. 

Vamos torcer por isso e para que os eventos extremos não prejudiquem novamente nossa agricultura.

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