As ilhas de calor são um fenômeno climático que ocorre nas cidades, onde o calor se intensifica devido à alta densidade urbana e às poucas áreas verdes. Essas ilhas de calor são mais frequentes em bairros periféricos, onde as principais características urbanísticas incluem, entre outras:

  • vulnerabilidade ambiental, com ocupação de áreas de risco geológico (encostas e fundos de vale), sujeitas a deslizamentos, inundações e poluição de recursos hídricos.
  • escassez de áreas verdes, com falta de parques, praças e equipamentos de lazer, somada à baixa arborização viária.
  • baixa infraestrutura básica, com ausência ou ineficiência de redes de esgoto, drenagem de águas pluviais, pavimentação asfáltica e coleta regular de resíduos.
  • autoconstrução progressiva, com moradias erguidas sem acompanhamento técnico, gerando adensamento desordenado e habitações inacabadas.
  • segregação socioespacial, dado o afastamento geográfico dos investimentos públicos e privados centrais.
  • ausência ou ineficiência de redes de esgoto, de drenagem de águas pluviais, de pavimentação asfáltica e de coleta regular de resíduos.
  • autoconstrução progressiva, com moradias erguidas sem acompanhamento técnico, gerando adensamento desordenado e habitações inacabadas.
  • escassez de áreas verdes e baixa arborização viária.

Mas apenas chover não é solução para os problemas causados pelas ilhas de calor, porque o aumento das chuvas intensas traz grandes riscos, particularmente nas encostas de morros e nas margens de rios. Por exemplo, nas favelas e bairros periféricos em encostas dos morros de cidades sujeitas a fortes chuvas, que são ocupados principalmente por população de baixa renda, os perigos dos deslizamentos de terra são reais. Com a retirada da vegetação nativa, a qual contribui para drenar a água e estabilizar o solo, as encostas perdem sua proteção natural e ficam sujeitas a deslizamentos. Com a chuva ainda há outro risco: as enchentes. O escoamento da chuva provoca alagamentos e inundações dado o aumento do volume de água escoada .

Matéria publicada no início de junho de 2026 no Portal da Prefeitura de Campinas aponta que este município paulista, localizado a cerca de 100 km da cidade de São Paulo já implantou mais de 36 mil mudas ao completar um ano da implantação do projeto Microflorestas Urbanas, plantadas nas chamadas microflorestas urbanas. São 27 microflorestas urbanas. A meta é que em até quatro anos, sejam criadas 200 microflorestas de árvores nativas. O objetivo é diminuir as ilhas de calor no ambiente urbano, capturar o CO2 (dióxido de carbono ou gás carbônico), ocupar espaços ociosos existentes e melhorar o abrigo para a pequena fauna.

O que são microflorestas urbanas?

As microflorestas urbanas são plantios adensados de espécies de árvores nativas em áreas pequenas, geralmente entre 200 e 500 m2, capazes de formar cobertura vegetal em poucos anos. São muitas as áreas urbanas que podem abrigar microflorestas. Bastam pequenos espaços como praças, canteiros de rodovias e faixas marginais de proteção dos cursos d’água.

Microfloresta urbana em Campinas com mudas de árvores nativas da Mata Atlântica
Microfloresta em Campinas (SP), onde 950 mudas de árvores nativas da Mata Atlântica foram plantadas em uma área de 1.600 m2.

Fonte: https://campinas.sp.gov.br/noticias/campinas-chega-a-33-mil-mudas-plantadas-em-microflorestas-urbanas-140302.

As microflorestas urbanas têm sido implantadas onde o espaço é escasso e o calor é intenso, como escolas, terrenos públicos degradados e bairros com pouca sombra. No Brasil, podem ser adotadas por empresas e entidades da sociedade civil.

Árvores e seus muitos benefícios no ambiente urbano

Árvores, e de um modo geral toda vegetação, contribuem para reduzir deslizamentos, em particular na região tropical onde as chuvas tendem a ser mais intensas. Com isso, reduzem a ocorrência de deslizamentos e de enchentes, proporcionam fauna e flora mais ricas, protegem as águas superficiais e favorece a infiltração, proporcionando melhor qualidade de vida. À medida que as microflorestas amadurecem, vários benefícios são observados:

  • aumento da diversidade de diferentes invertebrados que vivem no solo.
  • mitigação de inundações visto que as taxas de infiltração de água são maiores e a compactação do solo é menor em comparação com a área circundante.
  • aumento do armazenamento de carbono no solo e do sequestro de carbono acima do solo.
  • maior conforto térmico dentro da microfloresta do que no ambiente aberto ao redor.

Na cidade de São Paulo, metrópole desigual quando sob calor intenso, destacam-se a microfloresta na Marginal Tietê e os projetos em escolas públicas conduzidos pela ONG Formigas-de-Embaúba. Na cidade do Rio de Janeiro, onde a Floresta da Tijuca é uma das maiores do mundo em área urbana, diversos programas como o Planta Rio, Corredores Verdes, Bosques Cariocas e Refloresta Rio, contribuíram para que a cidade fosse reconhecida em 2025 como uma das 283 “Tree Cities of the World”. Esta certificação internacional, que integra o programa da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) e da The Arbor Day Foundation, reconhece cidades que investem na arborização urbana como estratégia para melhorar a qualidade de vida e promover a sustentabilidade.

A pesquisa Características Urbanísticas do Entorno dos Domicílios, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com dados do Censo 2022, quase 115 milhões de brasileiros moram em ruas com ao menos uma árvore. No Nordeste atualmente existem 17 cidades árvores e a cidade de Maceió está entre as 51 cidades no Brasil que receberam a certificação “Cidades Árvores do Mundo” pela Arbor Day Foundation e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). O certificado é concedido a cidades que reconhecem e promovem o manejo sustentável de florestas urbanas. Fundada em 1972, é a maior organização sem fins lucrativos do mundo dedicada ao plantio de árvores em mais de 60 países, que já ajudou a plantar mais de meio bilhão de árvores, com foco em áreas onde elas podem ter o maior impacto no clima, nas comunidades e na biodiversidade.

No Brasil, uma lista elaborada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) determinou o índice de arborização no entorno de domicílios em cidades com mais de um milhão de habitantes. Esse índice não considera as microflorestas e áreas densamente arborizadas, como praças e canteiros. Nesta lista, Goiânia (89,75%), Curitiba (85,5%), Brasília (84,88%) e Campinas (84,38%) ocupam as quatro primeiras posições; Belém (35,37%), Salvador (34,5%) e São Luís (34,21%) ocupam as três últimas.

Praça Carlos Gomes arborizada no centro de Campinas, São Paulo
Praça Carlos Gomes, no centro de Campinas (SP), cidade que ocupa a 4ª posição na lista do IBGE de índice de arborização no entorno de domicílios de cidades com mais de um milhão de habitantes. Fonte: Prefeitura de Campinas.

Fora o Brasil, dados de 2024 do Earthwatch Europe apontam que no Reino Unido foram criadas mais de 250 microflorestas plantadas e a meta é plantar 500 florestas até 2030. Em 2025, no Chile, foi lançado um programa para implantar miniflorestas em 33 bairros; e Buenos Aires inaugurou seus primeiros microbosque. Em todo o Mundo, 283 comunidades foram reconhecidas como Cidades Árvores do Mundo de 2025, o que representa um aumento de 34% em relação ao grupo do ano anterior.